Sunday, May 10, 2020

O Pai (Curta): Esperando Que Seja Exibido Em Breve Em Um Festival Perto De Você [Portuguese Translation]


Tiago Abubakir & Luiz Humberto Campos are clearly talented young Brazilian filmmakers, so I’m happy to make my review of their latest short film, The Great Father, available to Portuguese-speaking audiences, thanks to a translation courtesy of Angelica Sakurada. (You can find the original below here.)
 
O ano de 1755 marcou um momento de virada para Portugal. Era o ano do Grande Terremoto de Lisboa e da indicação de Sebastião de Melo como primeiro ministro. Mesmo hoje, a administração do de fato chefe de estado permanece controversa. Algumas liberdades são tomadas com nomes e eventos históricos, mas o espírito da época se mantém o mesmo no curta O Pai do diretor-produtor-editor-co-roteirista brasileiro Tiago Abubakir e do co-roteirista-co-produtor-co-ator Luiz Humberto Campos, que estaria sendo exibido no circuito dos festivais de cinema neste momento, se não fosse a pandemia de  Xi Jinping.

O fogo e o terremoto sacudiram Lisboa. Entretanto, para a rainha Maria Victoria (originalmente uma princesa espanhola antes do casamento com o rei José I) e sua filha princesa Maria I, a emergência real é a doença do rei e o seu afastamento da governança do dia-a-dia. Enquanto “o Pai” está doente, o “Barão Negro” comandará Portugal, com mãos de ferro. Claro que a rainha e a princesa estão mais preocupadas com o seus lugares no palácio do que o bem-estar dos seus súditos.

É bem impressionante quanto o jovem Tiago Abubakir atingiu com o micro-enxuto orçamento, com a colaboração de Luiz Campos e seus familiares. Foi realmente algo de trabalho em família, pois a tia de Tiago Abubakir, Ivone Biscaia, atua como a rainha e o pai de Luiz Campos, Humberto Campos, atua como o Barão Negro. Todo mundo faz sua parte, mas sinceramente o elenco é muitas vezes ofuscado pela locação maravilhosa do filme, incluindo o Convento do Carmo, uma abadia do século XVIII, e o Museu da Misericórdia de Salvador na Bahia.

Este filme é muito bonito, graças a grandeza do cenário cinematográfico e do figurino de época apropriado que Tiago Abubakir conseguiu emprestado do centro de artes do Teatro Castro Aves (ótimo que eles apoiam jovens estudantes cineastas). Como resultado, Tiago Abubakir e companhia recriaram perfeitamente o velho mundo de Lisboa no novo mundo de Salvador.

Nāo utilizem O Pai para lições de história, mas é realmente bacana ver Tiago Abubakir e Luiz Campos tão livremente abordando temas do Iluminismo. Você pode questionar que a abordagem deles não seja tão diferente de Quentin Tarantino em Bastardos Inglórios e Era Uma Vez Em Hollywood, mas os jovens cineastas são muito mais literalmente filosóficos. Altamente recomendado pelos seus jovens talentos e rico design de época, esperamos que muito em breve O Pai retorne ao circuito de festivais de cinema.